quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Egoísmo e Vaidade

 
 
És  lobo que sonda o coração humano
Olhar atento e fixo
Caminhar dissimulado
Finges ser ovelha pastando
Mas és predador 

Circulas pacientemente as muralhas cardíaca
Aguardando sinais de fragilidade
Fraqueza humana
Instabilidade

Até os mais protegidos devem vigiar
Do Meio-dia a Meia-noite
Perseverar sem ponderar
Único caminho para não fraquejar

Poucos sequer conseguem te identificar
Mas eu sei que aqui tu estás
Minhas sentinelas sempre te direcionam o olhar
A qualquer passo que tu dás
Rastreio-te sem cansar

Longe de minhas flechas deves ficar
Pois não descanso em te apontar
Sei que em vida não posso te mortificar
Mas controlo e o mantenho distante do meu caminhar

Perseverar e Vigiar
Fortaleza firmada
Vencer e avançar




























quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Companheira Morte




 
Companheira infindável
Sempre estás comigo
Ombro a ombro
Suspirando doces lembranças em meu ouvido
 
Insisto em negar-te meu  olhar
Finjo não te conhecer
Discreta como uma dama tu observa-me
Tua face é amarga e gélida
Mas fiel ao propósito

Comigo viestes ao Mundo
Só tu conheces a precisão do momento
Pode antecipar-se para uns
Prolongar-se para outros
Teus propósitos são incertos

Um dia tu deverás prevalecer
Terei que te encarar
Padecendo em teu seio
Sei que de braços abertos estarás
Acalentando todo meu pesar

Como uma mãe parcimoniosa
Tu me guiarás nos segundos derradeiros
Devolvendo a minha consciência
O silêncio do infinito universo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A desmascarando a farsa do subfinanciamento da saúde!!

   


 



                A verdade é única e absoluta, entretanto existem vários caminhos para alcançá-la, eis o relativismo dos fatos. A verdade em análise é: Temos que promover melhorias significativas em nosso sistema universal de saúde, isso é um fato indiscutível. Entretanto, tenho percebido um clamor poético e pueril da base do executivo por mais verbas para o setor, argumentando o subfinanciamento deste, o que bem é verdade.Porém,  tal problemática claro que não se deve a ausência da CPMF, afinal, problemas como os de hoje também tínhamos durante o período áureo deste imposto provisório. O problema central é que os parcos recursos investidos em saúde por parte da União é que são escassos.Vejamos a seguinte lógica matemática e simples: Comemoramos a conquista de sermos  a 5° economia do mundo, por outro lado, como podemos ter um setor tão importante subfinanciado se não for simplesmente por falta de prioridade para com este? Mesmo com tantos impostos cobrados, pela segunda vez consecutiva,  o Brasil ficou em último lugar no ranking internacional sobre o retorno em que os cidadãos obtêm em relação aos impostos que eles pagam.
             Ainda segundo o TCU, a saúde corresponde a 1/3 de toda a corrupção do País, sendo assim, questiono: Precisamos mesmo de uma contribuição social para a saúde? Por que  antes de criarmos uma nova taxa para o setor não tentamos enxugar a máquina pública, pondo fim a  milhares de cargos comissionados  com altos salários, realizando auditorias dos recursos públicos de forma responsável e racional e , principalmente, punindo severamente os corruptos, não apenas os exonerando dos cargos que ocupam. Não investimos 10 % dos PIB da união em saúde e vemos secretários do setor clamarem por recursos, e a solução simplistas que estes propõem é a criação de um novo imposto!! Ressalto que o Brasil é único País do mundo com sistema universal de saúde em que o setor privado  investe mais que o setor público. 
         Porque não se briga por uma distribuição mais justa e igualitária dos recursos da união? Como podemos ser convencidos a aceitar um novo imposto quando sabemos que o dinheiro público está financiando “shows milionários” em belas praias nordestinas ou sendo desperdiçados com milhões em verbas e mais verbas de gabinetes? Como nos convencer quando os fatos falam por si mesmo, empresas fantasmas, ONG's sem escrúpulos, mensalões, falsas obras, corrupção no judiciário, etc....

             Por respeito ao povo brasileiro senhores deputados e políticos, busquem antes mudar este terrível e assombroso quadro que vivemos em vez de penalizar mais uma vez a nação com um imposto adicional, em um País sem retorno social daquilo que se é cobrado.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Razões


Não há razão em não te amar
Não há razão em não te querer
Não há razão em te esquecer
Não há verso que em ti não seja para cantar

Não há como não rimar no teu pensar
Não há como deixar de te escutar
Não há como escolher entre eu e você no caminhar
Não há como te ter e não regozijar

Há razão para ouvir teu falar
Contigo há razão para viver sem pesar
Há razões para te ensinar
A beijar-me sem hora  para acabar

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Reality Show: Razões do sucesso.

           
               



           Você já parou para pensar qual o real motivo do sucesso BBB e outros similares? O que faz milhares de pessoas dedicarem parte de suas vidas a acompanhar por quase 3 meses a vida de desconhecidos através da televisão? Seria apenas uma nova expressão social "voyerista" incrustada no inconsciente coletivo? Alguns poderiam dizer que não passa de um programa interativo de massa, sem raízes explicativas, uma novela da vida real, entretanto vejamos algumas questões antes de qualquer conclusão superficial.
                    Sabemos que o homem é um ser social  que depende até certo ponto da opinião e aceitação do grupo  o qual está inserido para sua plena realização, isto inclui ser percebido e perceber o próximo. Infelizmente, devido as pressões da sociedade contemporânea de  exigências excessivas na produção de resultados, os laços familiares  e de amizades têm sido um pouco delegados para segundo plano, pois a lógica produtiva para manter o atual meio de produção deve ficar em primeiro lugar.Tal pensamento tem crescido de tal forma que temos dado um grande espaço para atuação de vícios de espírito tipicamente humano, como o egoísmo e a busca de prazeres sensoriais destrutivos.
                     Devido à forte pressão produtiva, agora implantada a partir da infância, muitos indivíduos, sem o preparo psicológico adequado para suportar tal sistema, são acometidos com inúmeros transtornos psiquiátricos, constatado no "pool" desses distúrbios nas civilizações ocidentais que trabalham com a lógica desenfreada de resultados a qualquer custo para o aumento insano da margem de lucro das empresas.
                    A família, nesse contexto, apresenta-se como uma vitrine de apresentação de sucesso profissional, exposta  muitas vezes como uma falsa imagem de felicidade, quando na verdade o diálogo interno é inexistente ou sustentado por laços frágeis e insensíveis.
                  Ouvir o próximo virou hábito obsoleto, não temos tempo para encerrar nossas atividades por alguns minutos e auxiliar um amigo ou mesmo um familiar com nosso valoroso e caro tempo. Afastamo-nos dos que mais amamos e esquecemos que precisamos do próximo para ser feliz, pois a satisfação individual é uma efêmera ilusão capitalista.
                    Nesse contexto, mesmo sem tempo para amar o próximo, deparamo-nos com uma realidade marcante, adoramos ver desconhecidos na televisão, analisamos o dia a dia, os problemas, as situações difíceis destes, compartilhamos as aflições daqueles estranhos até então para nós. Naturalmente essa inclinação é fruto da necessidade de estarmos envolvidos com pessoas, assim, de forma fantasiosa aceitamos com gratidão os relacionamentos a distância de um "reality show". Não paramos para escutar nossos entes queridos, esquecemos de exercer o amor na vida diária, de querer conhecer o pequeno zelador que passa por nós diariamente, mas estamos de prontidão para nos envolver com arquétipos distantes e televisivos. É muito mais cômodo esse tipo de relacionamento, podemos parar de sofrer na hora que quisermos, basta para isto apertarmos a tecla "off" da televisão, escutar apenas o que queremos parece-nos agradável,  participar das festas em conjunto a distância é uma maravilha, vivermos e compartilharmos tal experiência com os "big brothers" satisfaz temporariamente nosso real desejo íntimo que é ser feliz  e viver em harmonia na coletividade humana.
                    O verdadeiro espetáculo da vida esquecemos, não nos deixamos envolver com o próximo, pois isso exige tempo, dedicação, cuidado real e palpável.Vivemos em um mundo real que está sendo levado para sendas virtuais.Enfim, estamos distantes de nós mesmos, isolados, ilhados em um show único e potencialmente divino que é a vida real.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A origem dos três reis magos

                 





         A história dos visitantes do oriente foi relatada na bílblia no livro de Mateus 2, entretando não se sabe ao certo se eram realmente três, mas que era  mais de um e supostamente 3 por terem sido entregues três presentes: ouro, incenso e mirra. Os visitantes do oriente foram chamados de magos, que no período eram associados a sacerdotes ou sábios, e, por virem do oriente, certamente teriam grande influência do zoroastrismo, ou, até mesmo, serem sacerdotes desta antiga religião Persa. Existem poucas evidências de que eram de fato "Reis", mas pelo fato de serem guiados "pelas estrelas" certamente detiam profundo conhecimento de astronomia, ciência profundamente estudada no mistérios orientais.Depois de aproximadamente 800 anos após o nascimento de jesus, eles receberiam nomes: Belchior ou Melchior, que quer dizer "meu rei é luz", Gaspar, "Aquele que vai inspecionar" e Balthazar, " Deus manifesta o rei".
                       A exegese vê na chegada dos reis magos o cumprimento a profecia contida no livro dos Salmos (Sl. 71, 11): “Os reis de toda a terra hão de adorá-Lo”.Os magos, portanto, representavam os reis de todo o mundo, representando as três raças humanas existentes, brancos, negros e pardos, em idades diferentes. Assim, Melquior entregou a Jesus ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltasar, mirra em reconhecimento da humanidade e da imortalidade.
                        Muito provavelmente a "estrela de de Belém"  pode ter sido um alinhamento planetário entre Júpiter, Saturno e Marte, representando simbolicamente os três povos conhecidos: o branco (Júpiter) representado por Melchior, o negro (Saturno), representado por Baltazar, e o amarelo, asiático (Marte), Gaspar. Esse fenômeno celeste aconteceu por volta do ano 6 a.C, já que se sabe que o nascimento de Jesus pode ter ocorrido de 6 a 7 anos antes do inicio do nosso calendário, que passou por várias reformas e ajustes.
                     A astronomia nesse período tinha um papel muito importante no oriente médio, por isso seria natural associar um evento celeste ao nascimento de Jesus, assim como se associou um eclipse à morte de Herodes e um cometa ao assassinato de Júlio César em 44 a.C.
                     Entretanto, a "estrela de Belém" teria sido a mais bela de todas, tal fato chamou atenção de diversos astrólogos da epóca e  marcou o início de uma nova era: O nascimento de Cristo, o messias, para a salvação da humanidade. Apartir desse momento, ocorreria a ruptura de velhos dogmas para dar surgimento ao novo caminho e a redenção da humanidade através de Jesus Cristo. Yeshua veio para resgatar a humanidade da escuridão, não pela religião, mas pelo amor.
                        Todos somos "reis" de nossas vidas, portanto, possamos refletir hoje acerca do que temos a oferecer a cristo e a humanidade além de velhas práticas religiosas. Temos tanto a agradecer pelo milagre da vida que meus lábios se fecham diante da constatação das maravilhas de Deus, assim observo em adoração, em um silêncio que tudo fala.

Feliz  2012!!!

             

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Cidadãos,não vestibulandos!!


                      Temos que desconstruir o atual falso saber, criar homens de espíritos livres, seres pensantes.Nossa escola infelizmente esqueceu a missão de "Educar", aprendemos física quântica, geometria analítica, conhecemos o papel da mitocôndria e do cloroblasto, aprendemos  crase, mas não aprendemos a construir e organizar nosso pensamento para um determinado fim (esquecemos a oratória e a dialética!!).As escolas ensinam ilusões com cores da verdade, assim a formação do cidadão fica esquecida!! Quanto tempo perdido com "Bizus" em salas de aula., por quanto tempo continuaremos sendo afastados do verdadeiro saber na escolas que frequentamos?? Onde aprendemos as leis do Pais, cidadania, meio ambiente, ética, política, leis de trânsito, matemática, física e química aplicada ao cotidiano, a pensar (filosofia) e a raciocinar (lógica)?? Educação mercatilísta, desumana, fria e objetiva...Gostaria de ter vivido em um tempo no qual pudesse contemplar o desconhecido através do pensamento, de olhar para o céu em busca de respostas durante a infância,sem precisar recorrer ao "google", sabemos quase tudo e  ao mesmo tempo nada diante do todo...Precisamos formar cidadãos, não  vestibulandos, caso contrário destruíremos os alicerces do  desenvolvimento natural do homem.
Deixo abaixo um texto de platão chamado "Mênon" para complementar o que disse:


O diálogo

Mênon: - Seja, Sócrates! Entretanto, o que é que te leva a dizer que nada aprendemos e que o que chamamos de saber nada mais é do que recordação? Poderias provar-me isso?
Sócrates: - Não faz muito, excelente Mênon, que te chamei de habilidoso! Perguntas se te posso ensinar, quando agora mesmo afirmei claramente que não há ensino, mas apenas reminiscência; estás procurando precipitar-me em contradição comigo mesmo!
Mênon: - Não, por Zeus, caro Sócrates! Não foi com essa intenção que fiz a pergunta, mas apenas levado pelo hábito. Todavia, se te é possível mostrar-me de qualquer modo que as coisas de fato se passam assim como o dizes, demonstra-mo, pois esse é o meu desejo!
Sócrates: - Não é uma tarefa fácil o que pedes; fá-la-ei, entretanto, de boa vontade, por se tratar de ti. Chama a qualquer um dos escravos que te acompanham, qualquer um que queiras, a fim de que por meio dele eu possa fazer a demonstração que pedes.
Mênon: - Com prazer. (Dirigindo-se a um de seus escravos moços): Aproxima-te!
Sócrates: - Ele é grego e fala grego?
Mênon: - Sim; nasceu em minha casa.
Sócrates: - Então, caro Mênon, presta bem atenção, e examina com cuidado se o que ele faz com meu auxílio é recordar-se ou aprender.
Mênon: - Observarei com cuidado.
Sócrates: - (Voltando-se para o escravo ao mesmo tempo que traça no solo as figuras necessárias à sua demonstração): Dize-me, rapaz: sabes o que é um quadrado?
Escravo: - Sei.
Sócrates: - Não é uma figura, como esta, de quatro lados iguais?
Escravo: - É.
Sócrates: - E estas linhas, que cortam o quadrado pelo meio, não são também iguais?
Escravo: - São.
Sócrates: - Esta figura poderia ser maior ou menor, não poderia?
Escravo: - Poderia.
Sócrates: - Se, pois, este lado mede dois pés e este também dois pés, quantos pés terá a superfície deste quadrado? Repara bem: se isto for igual a dois pés e isso igual a um pé, a superfície não terá de ser o resultado de uma vez dois pés?
Escravo: - Terá.
Sócrates: - Mas este lado mede também dois pés; portanto a superfície não é igual a duas vezes dois pés?
Escravo: - É.
Sócrates: - A superfície por conseguinte mede duas vezes dois pés?
Escravo: - Mede.
Sócrates: - E quanto iguala duas vezes dois pés? Conta e dize!
Escravo: - Quatro, Sócrates.
Sócrates: - E não nos seria possível desenhar aqui uma outra figura, com área dupla e de lados iguais como esta?
Escravo: - Sim, seria.
Sócrates: - E quantos pés, então, mediria a sua superfície?
Escravo: - Oito.
Sócrates: - Bem; experimenta agora responder ao seguinte: que comprimento terá cada lado da nova figura? Repara: o lado deste mede dois pés, quanto medirá, então, cada lado do quadrado de área dupla?
Escravo: - É claro que mede o dobro daquele.
Sócrates: - (A Mênon): Vês, caro Mênon, que nada ensino, e que nada mais faço do que interrogá-lo? Este rapaz agora pensa que sabe quanto mede a linha lateral que formará o quadrado de oito pés. És da minha opinião?
Mênon: - Sou.
Sócrates: - Mas crês que ele de fato saiba?
Mênon: - Não, não sabe.
Sócrates: - Mas ele está convencido de que o quadrado de área dupla tem também o lado duplo, não é?
Mênon: - Está, sem dúvida.
Sócrates: - Observa como ele irá recordando pouco a pouco, de maneira exata. Responde-me (disse voltando-se para o escravo): tu dizes que uma linha dupla dá origem a uma superfície duas vezes maior? Compreende-me bem: não falo de uma superfície longa de um lado e curta de outro. O que procuro é uma superfície como esta, igual em todos os sentidos, mas que possua uma extensão dupla, ou mais exatamente, de oito pés. Repara agora se ela resultará do desdobramento da linha.
Escravo: - Creio que sim.
Sócrates: - Será, pois, sobre esta linha que se construirá a superfície de oito pés, se traçarmos quatro linhas semelhantes?
Escravo: - Sim.
Sócrates: - Desenhemos então os quatro lados. Esta é a superfície de oito pés?
Escravo: - É.
Sócrates: - E agora? Não se encontram, porventura, dentro dela estas quatro superfícies, das quais cada uma mede quatro pés?
Escravo: - É verdade!..
Sócrates: - Mas então? Qual é esta área? Não é o quádruplo?
Escravo: - Necessariamente.
Sócrates: - O duplo e o quádruplo são a mesma coisa?
Escravo: - Nunca, por Zeus!
Sócrates: - E que são, então?
Escravo: - Duplo significa duas vezes; e quádruplo, quatro vezes.
Sócrates: - Por conseguinte, esta linha é o lado de um quadrado cuja área mede quatro vezes a área do primeiro?
Escravo: - Sem dúvida.
Sócrates: - E quatro vezes quatro dá dezesseis, não é?
Escravo: - Exatamente.
Sócrates: - Mas, então, qual é o lado do quadrado da área dupla? Este lado dá o quádruplo, não dá?
Escravo: - Sim.
Sócrates: - A superfície de quatro pés quadrados tem lados de dois pés?
Escravo: - Tem.
Sócrates: - O quadrado de oito pés quadrados é o dobro do quadrado de quatro e a metade do quadrado de dezesseis pés, não é?
Escravo: - É.
Sócrates: - E seu lado, então, não será maior do que o lado de um e menor do que o de outro desses dois quadrados?
Escravo: - Será.
Sócrates: - Bem; responde-me: este lado mede dois pés e este quatro?
Escravo: - Sim.
Sócrates: - Logo, o lado da superfície de oito pés quadrados terá mais do que dois e menos do que quatro pés.
Escravo: - Tem.
Sócrates: - Experimenta, então, reponder-me: qual é o comprimento desse lado?
Escravo: - Três pés.
Sócrates: - Pois bem: se deve medir três pés, deveremos acrescentar a essa linha a metade. Não temos três agora? Dois pés aqui, e mais um aqui. E o mesmo faremos neste lado. Vê!, agora temos o quadrado de que falaste.
Escravo: - Ele mesmo.
Sócrates: - Repara, entretanto: medindo este lado três pés e o outro também pés, não se segue que a área deve ser três pés vezes três pés?
Escravo: - Assim penso.
Sócrates: - E quanto é três vezes três?
Escravo: - Nove.
Sócrates: - E quantos pés deveria medir a área dupla?
Escravo: - Oito.
Sócrates: - Logo a linha de três pés não é o lado do quadrado de oito pés, não é?
Escravo: - Não, não pode ser.
Sócrates: - E então? Afinal, qual é o lado do quadrado sobre que estamos discutindo? Vê se podes responder a isso de modo correto! Se não queres fazê-lo por meio de contas, traça pelo menos na areia a sua linha.
Escravo: - Mas, por Zeus, Sócrates, não sei!
Sócrates: - (Voltando-se para Mênon): Reparaste, caro Mênon, os progressos que a sua recordação fez? Ele de fato nem sabia e nem sabe qual é o comprimento do lado de um quadrado de oito pés quadrados; entretanto, no início da palestra, acreditava saber, e tratou de responder categoricamente, como se o soubesse; mas agora está em dúvida, e tem apenas a convicção de que não o sabe!
Mênon: - Tens razão.
Sócrates: - E agora não se encontra ele, não obstante, em melhores condições relativamente ao assunto?
Mênon: - Sem dúvida!
Sócrates: - Despertando-lhe dúvidas e paralisando-o como a tremelga, acaso lhe causamos algum prejuízo?
Mênon: - De nenhum modo!
Sócrates: - Sim, parece-me que fizemos uma coisa que o ajudará a descobrir a verdade! Agora ele sentirá prazer em estudar este assunto que não conhece, ao passo que há pouco tal não faria, pois estava firmemente convencido de que tinha toda razão de dizer e repetir diante de todos que a área dupla deve ter o lado duplo!
Mênon: - É isso mesmo.
Sócrates: - Crês que anteriormente a isto ele procurou estudar e descobrir o que não sabia, embora pensasse que o sabia? Agora, porém, está em dúvida, sabe que não sabe e deseja muito saber!
Mênon: - Com efeito.
Sócrates: - Diremos, então, que lhe foi vantajosa a paralisação?
Mênon: - Como não!
Sócrates: - Examina, agora, o que em seguida a estas dúvidas ele irá descobrir, procurando comigo. Só lhe farei perguntas; não lhe ensinarei nada! Observa bem se o que faço é ensinar e transmitir conhecimentos, ou apenas perguntar-lhe o que sabe. (E, ao escravo): Responde-me: não é esta a figura de nosso quadrado cuja área mede quatro pés quadrados?
Escravo: - É.
Sócrates: - A este quadrado não poderemos acrescentar este outro, igual?
Escravo: - Podemos.
Sócrates: - E este terceiro, igual aos dois?
Escravo: - Podemos.
Sócrates: - E não poderemos preencher o ângulo com outro quadrado, igual a estes três primeiros?
Escravo: - Podemos.
Sócrates: - E não temos agora quatro áreas iguais?
Escravo: - Temos.
Sócrates: - Que múltiplo do primeiro quadrado é a grande figura inteira?
Escravo: - O quádruplo.
Sócrates: - E devíamos obter o dobro, recordaste?
Escravo: - Sim.
Sócrates: - E esta linha traçada de um vértice a outro da cada um dos quadrados interiores não divide ao meio a área de cada um deles?
Escravo: - Divide.
Sócrates: - E não temos assim quatro linhas que constituem uma figura interior?
Escravo: - Exatamente.
Sócrates: - Repara, agora: qual é a área desta figura?
Escravo: - Não sei.
Sócrates: - Vê: dissemos que cada linha nestes quatro quadrados dividia cada um pela metade, não dissemos?
Escravo: - Sim, dissemos.
Sócrates: - Bem; então quantas metades temos aqui?
Escravo: - Quatro.
Sócrates: - E aqui?
Escravo: - Duas.
Sócrates: - E em que relação aquelas quatro estão para estas duas?
Escravo: - O dobro.
Sócrates: - Logo, quantos pés quadrados mede esta superfície?
Escravo: - Oito.
Sócrates: - E qual é seu lado?
Escravo: - Esta linha.
Sócrates: - A linha traçada no quadrado de quatro pés quadrados, de um vértice a outro?
Escravo: - Sim.
Sócrates: - Os sofistas dão a esta linha o nome de diagonal e, por isso, usando esse nome, podemos dizer que a diagonal é o lado de um quadrado de área dupla, exatamente como tu, ó escravo de Mênon, o afirmaste.
Escravo: - Exatamente, Sócrates!